Os Campeonatos Nacionais Sub-17 e Sub-20, referentes à época desportiva 2025/2026, serão disputados entre os dias 1 e 15 de agosto, num formato concentrado de 15 dias de competição.

Antes do início das provas, a Federação Angolana de Futebol (FAF) realizará, entre os dias 13 e 17 de julho de 2026, o processo de triagem e aprovação das inscrições dos atletas, etapa que culmina com a inscrição definitiva dos jogadores habilitados a disputar os campeonatos.

Perante este cenário, cresce o apelo para que o órgão reitor do futebol angolano reforce o rigor na verificação da elegibilidade dos atletas, sobretudo no combate à falsificação de idades, uma prática que continua a representar um dos maiores desafios do futebol de formação em Angola e em vários países.

A adulteração da idade dos jogadores, através da utilização de documentação fraudulenta, compromete a verdade desportiva, prejudica o desenvolvimento dos jovens atletas e cria desigualdades competitivas, afetando aqueles que competem dentro dos limites regulamentares.

O antigo diretor desportivo da Escola do Zangado, Sack Santos, recorda um episódio vivido durante a época 2010/2011, quando a equipa Sub-17 da instituição foi eliminada por adversários cuja idade levantava fortes suspeitas. Segundo relata, após o encontro, os jovens atletas abandonaram o campo em lágrimas, sendo consolados por Man Dinas, considerado por muitos como um dos maiores futebolistas da história de Angola e uma figura emblemática da Escola do Zangado.

Entre os jogadores presentes naquela geração encontravam-se atletas como Show, Mário Balbúrdia e Além, hoje referências do futebol nacional, todos eles formados sob a orientação do saudoso treinador Mister Bico.

Para Sack Santos, o combate à fraude de idades exige uma ação conjunta e rigorosa, envolvendo famílias, escolas, clubes, Associações Provinciais de Futebol (APF) e a própria Federação Angolana de Futebol. Defende ainda que a investigação jornalística desportiva deve desempenhar um papel mais ativo na denúncia destes casos, contribuindo para a transparência e credibilidade das competições.

O antigo dirigente considera igualmente indispensável que todos os envolvidos na apresentação de documentação falsa sejam responsabilizados, tanto no plano desportivo como criminal, como forma de desencorajar práticas que comprometem o futuro do futebol de formação.

A mensagem é dirigida aos agentes desportivos, intermediários, dirigentes e demais responsáveis pelo futebol angolano, apelando a um compromisso efetivo com a verdade desportiva, a equidade e a justiça, desde a formação até aos mais altos níveis da modalidade.

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