O Governo angolano anunciou uma linha de crédito de 50 mil milhões de kwanzas para apoiar empresas afectadas pelos actos de vandalismo ocorridos durante manifestações, nomeadamente a greve dos taxistas. A medida procura responder, de forma imediata, a prejuízos significativos sofridos por mais de 160 empresas.
Contudo, importa reconhecer que se trata de uma resposta tardia. O financiamento, ainda que em condições preferenciais, surge depois do impacto. Falta ao país uma estrutura preventiva capaz de proteger o tecido empresarial em momentos de instabilidade. Fundos de emergência, seguros empresariais acessíveis e linhas de contingência continuam ausentes ou inoperantes.
É também fundamental sublinhar que se trata de crédito — não de subvenção. Empresas já fragilizadas poderão ver-se obrigadas a contrair dívidas que não têm condições de reembolsar, o que pode agravar o risco de incumprimento e falência.
Além disso, a ausência de critérios públicos de selecção para os beneficiários abre espaço à desconfiança. O processo deve ser transparente, justo e escrutinado, sob pena de comprometer a credibilidade da medida.
Esta linha de crédito não pode esconder um contexto mais amplo: insegurança, desemprego, perda de rendimentos e uma economia marcada pela imprevisibilidade. Nenhuma injecção pontual de capital resolverá, por si só, um problema estrutural.
Mais do que crédito, é preciso estabilidade fiscal, previsibilidade nas decisões públicas e combate efectivo à informalidade e à concorrência desleal.
A medida é oportuna, mas insuficiente. O país precisa de uma estratégia económica sólida, preventiva e orientada para a construção de resiliência duradoura.
Genésio Correia
Consultor em Finanças Públicas e Estratégia Empresarial










