{"id":13018,"date":"2021-03-12T15:44:53","date_gmt":"2021-03-12T14:44:53","guid":{"rendered":"http:\/\/tvbelas.com\/tvbelas\/?p=3954"},"modified":"2021-03-12T15:44:53","modified_gmt":"2021-03-12T14:44:53","slug":"plataforma-27-de-maio-suspende-participacao-na-comissao-de-reconciliacao-angolana-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvbelas.com\/tvbelas\/noticias\/politica-angola\/plataforma-27-de-maio-suspende-participacao-na-comissao-de-reconciliacao-angolana-2\/","title":{"rendered":"Plataforma 27 de Maio suspende participa\u00e7\u00e3o na comiss\u00e3o de reconcilia\u00e7\u00e3o angolana."},"content":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o, tomada por unanimidade, na reuni\u00e3o extraordin\u00e1ria do dia 07 deste m\u00eas pela Associa\u00e7\u00e3o 27 de Maio, Associa\u00e7\u00e3o M-27 e o Grupo de Sobreviventes do 27 de Maio, que constituem a &#8220;Plataforma 27 de Maio&#8221;, foi hoje divulgada.<br \/>\nNuma nota, a que a ag\u00eancia Lusa teve acesso, o grupo refere que o Governo e o Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola (MPLA), partido no poder, &#8211; que t\u00eam uma posi\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio na CIVICOP, &#8220;longe de procurarem um caminho de verdadeira reconcilia\u00e7\u00e3o nacional, optaram pela recusa da verdade hist\u00f3rica e pela constru\u00e7\u00e3o de propaganda a seu favor, para branquear a imagem, n\u00e3o estando interessados em apreciar sequer os pedidos que foram apresentados pelos representantes das v\u00edtimas&#8221;.<br \/>\nDe acordo com o documento, no dia 23 de julho do ano passado, a &#8220;Plataforma 27 de Maio&#8221; solicitou \u00e0 CIVICOP a realiza\u00e7\u00e3o de uma reuni\u00e3o extraordin\u00e1ria para apreciar alguns pontos para integrar nos trabalhos da comiss\u00e3o, nomeadamente a procura da verdade hist\u00f3rica, &#8220;com uma investiga\u00e7\u00e3o isenta e c\u00e9lere&#8221;, a defini\u00e7\u00e3o como objetivo a identifica\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis pelos crimes, &#8220;\u00fanica forma de se saber a quem se perdoa, na sequ\u00eancia de um pedido pr\u00e9vio de perd\u00e3o&#8221;, mas n\u00e3o obtiveram resposta.<br \/>\nOs integrantes da &#8220;Plataforma 27 de Maio&#8221; sugeriram ainda \u00e0 CIVICOP que os agentes que praticaram crimes deixassem de ser considerados v\u00edtimas, pois a obedi\u00eancia a ordens il\u00edcitas e violadoras dos Direitos Humanos n\u00e3o constitui causa de justifica\u00e7\u00e3o do crime praticado.<br \/>\nSugeriam ainda que a localiza\u00e7\u00e3o dos restos mortais das v\u00edtimas, a sua certifica\u00e7\u00e3o pelo teste de ADN, a emiss\u00e3o das respetivas certid\u00f5es de \u00f3bito, onde conste a data e causa da morte e, por fim a sua devolu\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias, seja definido como objetivo central da Comiss\u00e3o de Averigua\u00e7\u00e3o e Certifica\u00e7\u00e3o dos \u00d3bitos.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o foi dada qualquer resposta a este pedido, embora o coordenador da CIVICOP e ministro da Justi\u00e7a e dos Direitos Humanos nos tivesse dito que iriam analisar e ponderar os pedidos, fazendo acalentar a esperan\u00e7a de que, com o prosseguimento dos trabalhos, seria poss\u00edvel uma efetiva pondera\u00e7\u00e3o e acolhimento, ainda que parcial, dos pontos apresentados pelos representantes das v\u00edtimas&#8221;, l\u00ea-se no documento.<br \/>\nPara a &#8220;Plataforma 27 de Maio&#8221; ficou patente, n\u00e3o apenas pelo decurso de tempo, mas sobretudo pelo reconhecimento da ata da reuni\u00e3o de 08 de janeiro passado e os restantes documentos distribu\u00eddos, que a CIVICOP persiste naquilo que chama &#8220;modelo angolano de reconcilia\u00e7\u00e3o&#8221;, que mais n\u00e3o \u00e9 do que a aus\u00eancia de qualquer modelo de justi\u00e7a transicional.<br \/>\nOs membros consideram que este modelo escolhido pela CIVICOP prefere antes &#8220;colocar as v\u00edtimas e algozes na mesma posi\u00e7\u00e3o, ignorando a busca da verdade hist\u00f3rica e as recomenda\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o Africana [de que Angola faz parte] sobre a metodologia a desenvolver nos trabalhos&#8221;.<br \/>\nA &#8220;Plataforma 27 de Maio&#8221; recorda que a Uni\u00e3o Africana considera que, em caso de atrocidades, viola\u00e7\u00f5es graves de direitos humanos, crimes contra a humanidade [como os que foram cometidos no 27 de maio] deve haver identifica\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis e um pedido de perd\u00e3o efetivo, rejeitando-se a impunidade pura e simples.<br \/>\n&#8220;A ata e os restantes documentos recebidos cont\u00eam conclus\u00f5es que n\u00e3o correspondem aos temas abordados, refletindo apenas a vis\u00e3o do executivo. S\u00e3o permanentemente trocados nomes das organiza\u00e7\u00f5es representativas dos sobreviventes e \u00f3rf\u00e3os, semeando a confus\u00e3o, apesar de previamente e repetidamente terem sido alertados para essas incorre\u00e7\u00f5es&#8221;, queixam-se os representantes das v\u00edtimas.<br \/>\nSegundo o grupo, os referidos documentos n\u00e3o espelham qualquer sinal de atendimento das propostas j\u00e1 remetidas pelos sobreviventes e \u00f3rf\u00e3os \u00e0 CIVICOP.<br \/>\n&#8220;Em consequ\u00eancia do exposto, recusamos continuar a participar neste simulacro de reconcilia\u00e7\u00e3o, enquanto n\u00e3o forem adotados verdadeiramente os princ\u00edpios e mecanismos de justi\u00e7a transicional, definidos pela Uni\u00e3o Africana em documentos daquela organiza\u00e7\u00e3o&#8221;, salienta a nota.<br \/>\nAo Presidente angolano, Jo\u00e3o Louren\u00e7o, a &#8220;Plataforma 27 de Mio&#8221; indica que se imp\u00f5e que &#8220;assuma a decis\u00e3o de imprimir uma nova orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 CIVICOP, de forma a que esta seja o ve\u00edculo para uma verdadeira reconcilia\u00e7\u00e3o que a na\u00e7\u00e3o Angola exige&#8221;.<br \/>\nNum memorando de sete p\u00e1ginas, a &#8220;Plataforma 27 de Maio&#8221; aponta &#8220;as defici\u00eancias graves da CIVICOP e o caminho a seguir&#8221;.<br \/>\nO 27 de maio refere-se aos acontecimentos sangrentos que tiveram lugar, em 1977, ap\u00f3s um alegado golpe falhado contra o primeiro Presidente de Angola, Ant\u00f3nio Agostinho Neto, que resultaram em milhares de mortos durante o combate ao chamado &#8220;fracionismo&#8221; dentro do MPLA, segundo sobreviventes e analistas.<br \/>\nEm abril de 2019, o Presidente angolano ordenou a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o para elaborar um plano geral de homenagem \u00e0s v\u00edtimas dos conflitos pol\u00edticos que ocorreram em Angola, entre 11 de novembro de 1975 e 04 de abril de 2002.<br \/>\nO Plano de Reconcilia\u00e7\u00e3o em Mem\u00f3ria \u00e0s V\u00edtima de Conflitos Pol\u00edticos prev\u00ea, entre outras quest\u00f5es, a emiss\u00e3o de certid\u00e3o de \u00f3bito, a constru\u00e7\u00e3o de um memorial \u00fanico para todas as v\u00edtimas dos conflitos pol\u00edticos registados no pa\u00eds.<br \/>\nNa \u00faltima reuni\u00e3o da CIVICOP, o seu coordenador e ministro da Justi\u00e7a e dos Direitos Humanos, Francisco Queiroz, sublinhou que os acontecimentos do dia 27 de maio de 1977 tornaram-se, a n\u00edvel da CIVICOP, no facto hist\u00f3rico aglutinador dos estudos e an\u00e1lises conducentes ao modelo de Angola de solu\u00e7\u00e3o dos conflitos pol\u00edticos de que resultaram v\u00edtimas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o, tomada por unanimidade, na reuni\u00e3o extraordin\u00e1ria do dia 07 deste m\u00eas pela Associa\u00e7\u00e3o 27 de Maio, Associa\u00e7\u00e3o M-27 e o Grupo de Sobreviventes do 27 de Maio, que constituem a &#8220;Plataforma 27 de Maio&#8221;, foi hoje divulgada. 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