{"id":3449,"date":"2021-01-29T11:27:04","date_gmt":"2021-01-29T10:27:04","guid":{"rendered":"http:\/\/tvbelas.com\/tvbelas\/?p=3449"},"modified":"2021-01-29T11:27:04","modified_gmt":"2021-01-29T10:27:04","slug":"num-ano-muito-mudou-para-isabel-muito-pouco-mudou-para-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvbelas.com\/tvbelas\/noticias\/num-ano-muito-mudou-para-isabel-muito-pouco-mudou-para-angola\/","title":{"rendered":"Num ano, muito mudou para Isabel, &#8220;muito pouco&#8221; mudou para Angola"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"news_capital_letter\">&#8220;A<\/span>lgo mudou, sem d\u00favida, para Isabel dos Santos, mas para Angola mudou muito pouco&#8221;, disse \u00e0 Lusa o acad\u00e9mico e autor da obra &#8220;Angola: Magn\u00edfica e Miser\u00e1vel&#8221;, comentando as consequ\u00eancias da investiga\u00e7\u00e3o jornalista que exp\u00f4s os esquemas que permitiram \u00e0\u00a0<span class=\"nanospell-typo\">empresaria<\/span>\u00a0e filha do ex-presidente angolano apropriar-se de milh\u00f5es de d\u00f3lares do er\u00e1rio angolano<\/p>\n<p>Para Ricardo Soares de Oliveira, o impacto do &#8220;Luanda Leaks&#8221; vai mais longe do que as revela\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 principal visada, demonstrando &#8220;o &#8216;<span class=\"nanospell-typo\">modus<\/span>\u00a0<span class=\"nanospell-typo\">operandi<\/span>&#8216; da economia angolana ao longo dos \u00faltimos 20 anos e o envolvimento n\u00e3o s\u00f3 de pessoas ligadas ao antigo presidente, mas tamb\u00e9m de respons\u00e1veis de bancos,\u00a0<span class=\"nanospell-typo\">contabilistas<\/span>, advogados e outros prestadores de servi\u00e7os internacionais que &#8220;mostram a dimens\u00e3o sist\u00e9mica do saque de Angola&#8221;.<\/p>\n<p>O &#8220;Luanda Leaks&#8221; poderia &#8220;impulsionar uma reforma estrutural da economia angolana&#8221;, contribuindo para punir pessoas que tiveram um papel de relevo no saque e para a reconstru\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es da economia angolana, para impedir que o saque se repetisse no futuro, mas &#8220;isso n\u00e3o est\u00e1 a ser feito&#8221;, argumentou.<\/p>\n<p>&#8220;Por ora, temos uma esp\u00e9cie de telenovela em que a &#8216;princesa m\u00e1&#8217; finalmente recebe o castigo que merecia e a dimens\u00e3o sist\u00e9mica tem sido ignorada. H\u00e1 quem diga que a prociss\u00e3o ainda vai no adro e que o presidente tem a inten\u00e7\u00e3o, a longo prazo, de avan\u00e7ar com essa limpeza estrutural, vamos ver&#8221;, afirmou o professor do departamento de Pol\u00edtica e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade de Oxford.<\/p>\n<p>Para Ricardo Soares de Oliveira, o &#8220;Luanda Leaks&#8221; foi um fen\u00f3meno com impacto sobretudo fora de Angola, servindo essencialmente para debilitar e minar a respeitabilidade de Isabel dos Santos no plano internacional, sobretudo em Portugal, pa\u00eds onde as consequ\u00eancias foram mais graves.<\/p>\n<p>&#8220;No caso de Portugal, temos uma depend\u00eancia e uma defer\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao contexto angolano muito grande. At\u00e9 2017, Isabel dos Santos estava rodeada de bajuladores em Lisboa &#8211; a quase totalidade da classe pol\u00edtica e empresarial. No dia em que Jo\u00e3o Louren\u00e7o deixa cair a fam\u00edlia dos Santos, os apoios de Lisboa come\u00e7aram a desaparecer e Isabel passou a ser\u00a0<span class=\"nanospell-typo\">diabolizada<\/span>&#8220;, justificou o especialista, real\u00e7ando que Portugal tem &#8220;marchado ao som da m\u00fasica angolana, anteriormente\u00a0<span class=\"nanospell-typo\">eduardista<\/span>\u00a0e agora\u00a0<span class=\"nanospell-typo\">lourencista<\/span>&#8220;.<\/p>\n<p>Ricardo Soares de Oliveira nota que a maneira como s\u00e3o vistos os principais protagonistas tamb\u00e9m se foi alterando.<\/p>\n<p>O presidente angolano, Jo\u00e3o Louren\u00e7o, beneficiou, no in\u00edcio, de grande popularidade quando decidiu atacar de forma\u00a0<span class=\"nanospell-typo\">direta<\/span>\u00a0o ex-presidente e algumas pessoas mais pr\u00f3ximas, entre finais de 2017 e princ\u00edpios de 2018, altura em que a sociedade angolana sentia &#8220;um imenso ressentimento&#8221; em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia dos Santos. Mas a opini\u00e3o p\u00fablica mudou.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje, as pessoas n\u00e3o colocam quest\u00f5es sobre a governa\u00e7\u00e3o de h\u00e1 dez anos atr\u00e1s, mas sobre a situa\u00e7\u00e3o\u00a0<span class=\"nanospell-typo\">atual<\/span>, e h\u00e1 uma\u00a0<span class=\"nanospell-typo\">perce\u00e7\u00e3o<\/span>\u00a0de que o presidente Jo\u00e3o Louren\u00e7o n\u00e3o resolveu nenhuma das grandes quest\u00f5es estruturais, que t\u00eam a ver com a economia e o desemprego&#8221;, apontou.<\/p>\n<p>E enquanto a hostilidade para com Isabel dos Santos se foi dissipando, ganhou for\u00e7a o medo face ao destino que ter\u00e3o as suas empresas.<\/p>\n<p>&#8220;Em\u00a0<span class=\"nanospell-typo\">dezembro<\/span>\u00a0de 2019, quando o Estado tomou conta das empresas de Isabel dos Santos &#8212; a maior empregadora de Angola fora do\u00a0<span class=\"nanospell-typo\">setor<\/span>\u00a0p\u00fablico &#8211; a\u00a0<span class=\"nanospell-typo\">rea\u00e7\u00e3o<\/span>\u00a0que obtive por parte de muitos angolanos foi: estas empresas v\u00e3o voar&#8221;, disse o investigador.<\/p>\n<p>E apesar de nem todos terem feito previs\u00f5es t\u00e3o sinistras (alguns limitaram-se a dizer que o Estado \u00e9 incompetente, recorda Ricardo Soares de Oliveira), a\u00a0<span class=\"nanospell-typo\">perce\u00e7\u00e3o<\/span>\u00a0gen\u00e9rica quando foi conhecida a decis\u00e3o de arrestar bens, contas e participa\u00e7\u00f5es sociais da empres\u00e1ria angolana foi de hesita\u00e7\u00e3o e receio.<\/p>\n<p>&#8220;Havia toda uma classe m\u00e9dia alta, entre Luanda e\u00a0<span class=\"nanospell-typo\">Talatona<\/span>, que trabalha para aquelas companhias, uma classe urbana do\u00a0<span class=\"nanospell-typo\">setor<\/span>\u00a0privado que ficou com medo de que a interven\u00e7\u00e3o do Estado estragasse as empresas&#8221;, sublinhou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Algo mudou, sem d\u00favida, para Isabel dos Santos, mas para Angola mudou muito pouco&#8221;, disse \u00e0 Lusa o acad\u00e9mico e autor da obra &#8220;Angola: Magn\u00edfica e Miser\u00e1vel&#8221;, comentando as consequ\u00eancias da investiga\u00e7\u00e3o jornalista que exp\u00f4s os esquemas que permitiram \u00e0\u00a0empresaria\u00a0e filha do ex-presidente angolano apropriar-se de milh\u00f5es de d\u00f3lares do er\u00e1rio angolano Para Ricardo Soares [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3451,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":{"0":"post-3449","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-noticias"},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvbelas.com\/tvbelas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3449","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvbelas.com\/tvbelas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvbelas.com\/tvbelas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbelas.com\/tvbelas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbelas.com\/tvbelas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3449"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tvbelas.com\/tvbelas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3449\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbelas.com\/tvbelas\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvbelas.com\/tvbelas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3449"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbelas.com\/tvbelas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3449"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbelas.com\/tvbelas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3449"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}